Na rota da biotecnologia

O Aché foi escolhido como a empresa mais inovadora da categoria “Farmacêuticas e ciências da vida” do prêmio “Valor Inovação Brasil”, entregue em evento digital na noite desta quinta-feira (17). A Natura foi a campeã geral, eleita a mais inovadora do país, em ranking com 150 empresas, distribuídas em 23 categorias, elaborado pela consultoria Strategy&.

TOP 5
Posição Empresa
Aché
Eurofarma
AbbVie
Novartis
EMS

Poucos setores da economia dependem tanto da inovação como a indústria de medicamentos. Em geral, o alvo dos laboratórios farmacêuticos é ter pelo menos 30% dos produtos do seu portifólio com menos de três anos de vida, mesmo porque são eles os mais rentáveis no faturamento. “O custo de desenvolvimento de novas moléculas é cada vez mais elevado, o que explica o compartilhamento de pesquisa ou produção entre laboratórios”, diz Nelson Mussolini, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). O setor destina de 8% a 10% de sua receita para pesquisa e desenvolvimento (P&D). E só no item vacinas da covid-19, há hoje 21 projetos em fase final de testes no mundo.

O Aché, maior laboratório farmacêutico nacional, destina, anualmente, 8% do seu Ebitda (R$1,1 bilhão em 2019), o que significa cerca de R$90 milhões para 2020. “Já lançamos, até julho, 25 produtos e projetamos mais 11 novos, com dez extensões até dezembro”, afirma Vânia Nogueira de Alcantara Machado, presidente do Aché.

Até 2025, estão programados194 produtos a serem lançados, 52 são de inovação radical. As principais linhas de pesquisa atualmente no Aché focam na área botânica – tanto em propriedades medicinais de plantas já conhecidas (inovação incremental).

A busca por inovação da companhia hoje contempla medicamentos biológicos, como proteínas recombinantes e anticorpos monoclonais, assim como a terapia gênica A rota da nanotecnologia também está nas prioridades do laboratório por ser uma plataforma transversal para várias classes de moléculas com melhoramento de suas propriedades biofarmacêuticas.

“Estamos investindo bastante nesse campo, focando tanto inovação incremental de moléculas que já tem os como a inovação radical (descoberta de moléculas)”, conta a presidente do Aché.

O laboratório é um dos acionistas da Bionovis (junto com a EMS, Hypera e União Química). A Bionovis, segundo seu presidente, Odnir Finotti, lançou seis novas moléculas pela rota biotecnológica, principalmente com a Bio-Manguinhos/Fiocruz e, quando sua própria unidade fabril estiver concluída em 2022, a capacidade instalada seria para 250 quilos de princípios ativos, os fitofármacos, volume suficiente para exportação.

A Novartis do Brasil obteve a aprovação pela Anvisa da primeira terapia gêmea do país, informa Renato Garcia Carvalho, o CEO da operação brasileira da multinacional suíça. Essa inovação, que manipula o DNA do paciente, está voltada para tratar a distrofia hereditária da retina (DHR), um problema raro que causa pela de visão.

Atualmente, a Novartis investe em 64 pesquisas clínicas no Brasil desenvolvidas por 350 centros de estudos, especialmente nas áreas cardiometabólicas, dermatologia, hepatologia, imunologia, neurociências, renal e respiratória. Em 2019, o total investido em estudos clínicos foi de RS 75 milhões, com 884 pacientes recrutados. A Sandoz, controlada pela Novartis e com foco em biossimilares, tem oito moléculas recém-aprovadas mundialmente, sendo que cinco delas já estão no Brasil.

“Somos uma das empresas que mais investem em pesquisas clínicas no Brasil”, lembra Carvalho. No mundo, a Novartis está conduzindo mais de 300 projetos de desenvolvimento de moléculas (pré-pesquisa clínica e pesquisa clínica). No pipeline da multinacional suíça, que investe atualmente US$9,1 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em centros com 23 mil cientistas estão aguardando aprovação das autoridades mundiais para drogas contra esclerose múltipla, osteoporose, câncer de mama, atrofia muscular espinhal (por terapia gênica), entre outros.

Na corrida pelo tratamento da covid-19, a Novartis recebeu a aprovação da Anvisa para o estudo do seu Ruxolitinibe (ensaio clínico de Fase III) para o combate à “tempestade de citocinas”, associada ao novo coronavírus.

Na área de vacinas, a sua controlada AveXis, dos Estados Unidos, líder do setor de terapêutica, faz parte do programa AAVCovid da Massachusetts Eye and Ear e do Hospital Geral de Massachusetts, em um contrato de fabricação para pesquisa de uma nova vacina genética para a covid-19. Massachusetts abriga o Silicon Valley da área farmacêutica.

A Eurofarma, multinacional brasileira controlada pela família Billi, com operações em 19 países, está inaugurando o maior centro de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos da América latina, com área de 21,2 mil metros quadrados, que vai mais do que duplicar sua capacidade de síntese de moléculas. “Somos a farmacêutica brasileira com maior investimento em pesquisa e desenvolvimento no país”, afirma Martha Nogueira Oliveira Penna, vice-presidente inovação da Eurofarma.

Somente em 2020 o laboratório está investindo cerca de RS 300 milhões, o que corresponde a aproximadamente 8% da receita líquida. “Trabalhamos continuamente para a descoberta de novas drogas em parcerias com universidades e entidades de pesquisa de ponta tanto no Brasil com o no exterior”, diz a executiva. A empresa contabiliza 47 lançamentos de medicamentos em 2020, e o desafio agora é dar fluência a 200 novos projetos “greenfields”, definidos acionistas como prioritários para duplicar o pipeline da companhia.

“Só para se ter uma ideia da aceleração d o nosso ritmo de inovação, até 2018 tinham os sintetizado 500 moléculas em casa”, pondera a vice-presidente. Unidos destaques na Eurofarma é o projeto dor, para neuropatias, que desenvolve junto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a USP de Ribeirão Preto (SP). Outros dois projetos são: o de micobactérias para combate de leishmaniose e o de antidepressivos, também com a UFRJ.

A empresa participa do consórcio de genômica, fomentado pela Embrapa, no ICT da Unicamp, de Campinas (SP). E para ajudar no combate a covid-19) a empresa fechou um acordo, em abril, com o laboratório Phenotypic Screening Platfom, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “A IEurofarma é parceira da universidade há anos e tinha cedido esta biblioteca com 1.500 compostos para ensaios na área de antibióticos. Agora, essas mesmas moléculas estão sendo testadas no contexto da covid-19″, diz Martha Penna.

O laboratório foi surpreendido com a expansão abrupta da demanda por ser antibiótico azitromicina, devido à exemplo são de demanda dos hospitais e farmácias na pandemia, e teve que reorganizar sua produção para responder aos pedidos, inclusive com recrutamento de pessoal. As contratações devem se acelerar até 2021, especialmente de tecnólogos e cientistas, para a duplicação do papel da empresa.

A norte-americana AbbVie acabou de se consolidar’ após o spin off da Abbott e a compra, em 8 de maio último,da Allergan, que representou salto de 50% na receita, que em 2019 foi de USS 55 bilhões. A fusão veio para expandir seti perfil de inovação na biofarmacêutica da empresa, que até 2019 investia USS 5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento anualmente.

Camilo Gomez, presidente da AbbVie Brasil, lembra que desde maio passou a ser a quarta maior farmacêutica do mundo e seus medicamentos atendem 52 milhões de pessoas com 60 tipos de patologia diferentes em 175 países Desde 2014. a AbbVie aumentou cinco veze só investimento em pesquisa clínica no Brasil.

“Atualmente conduzimos 50 estudos clínicos com imunologia, oncologia e virologia em 23 cidades brasileiras”, lembra Gomez. A projeção até 2025 é de lançamentos de 30 produtos e/ou novas indicações no Brasil. A Anvisa aprovou em junho dois novos medicamentos da AbbVie, um para psoríase e outro para artrite reumatoide. Na oncologia, a meia do laboratório abrange os canceres de sangue e os tumores sólidos. A sua expertise em antivirais, sobretudo em hepatite C e HIV, a fez aceitar a urgência no combate da covid-19 em várias parcerias globais.

Quinta colocada no ranking, a brasileira EMS está conduzindo investimentos de RS 1 bilhão em seu novo parque fabril em Hortolândia (SP) que vai somar capacidade com Manaus, Brasília e Jaguariúna (SP). Além das obras civis, a empresa destina anualmente para P&D 6% da sua receita, de RS 13,4 bilhões em 2019.

Com um dos mais modernos centros de P&D da América Latina, onde trabalham 400 pesquisadores, a EMS tem estudos clínicos em andamento para mais de 50 novos produtos, inclusive no laboratório de pesquisa da Itália e no centro de inovação mundial da controlada Brace Pharma. nos Estados Unidos. “Já investimos lá mais de RS 1 bilhão desde 2013″, afirma Roberto Amazonas, diretor-médico científico da EMS.

As áreas de oncologia, imunologia, virologia e terapia para doenças raras com alto grau de necessidade médica são os focos das pesquisas e inovações no laboratório. Entre 2019 e meados de 2020, a EMS fez 53 pedidos de registro nas principais áreas terapêuticas (primary care), com oncologia. No pipeline da companhia hoje estão medicamentos para área cardiometabólica, sistema nervoso central, osteo, sistema respiratório, gastroenterologia, dor, oncologia, moléstias infecciosas e saúde masculina e feminina.

By Márcia R.Corradini
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